
Com a participação de mais de 120 pessoas, realizou-se o seminário “Desenvolvimento, Militarização e Criminalização”, no dia 12, como parte do IV Fórum Social Américas, tendo em vista debater as agressões e ameaças aos direitos humanos no continente.
De várias formas, os
EUA tentam garantir sua hegemonia na AL: instalação de bases
militares, presença de Quarta Frota Naval, treinamento de tropas,
controle das riquezas naturais com a água e os minérios. Tal estratégia
se realiza principalmente controlando os pontos estratégicos como as
ilhas do Caribe, bem como através das bases militares na Colômbia e a
presença no Paraguai.
Segundo Ana Esther Ceceña, do México,
especialista no tema, a América Latina é para os EUA a principal base
para garantir sua hegemonia econômica, política e militar. AL é sua
base para tudo, é o seu principal suporte. Segundo ela: “lhe interessam
as imensas riquezas naturais, as jazidas de água e os minérios. É muito
importante ser auto-sustentável num momento em que há muitas guerras no
mundo”.
A importância do continente aumenta, por que por ele
passa um dos principais caminhos para as mercadorias, e para as forças
armadas; trata-se do Canal do Panamá. O continente também tem o maior
mercado do mundo e é o maior consumidor. Tudo isso faz da AL um lugar
muito importante e estratégico. Explora-se o petróleo aqui, para fazer
um contraponto ao Oriente Médio. Portanto a AL é o ponto básico sobre o
qual se assenta a hegemonia norte-americana. Há toda uma rede de
controle dos pontos estratégicos no Caribe, para garantir a maior
jazida de petróleo do Continente.
Ainda segundo Ana Esther, um
outro ponto estratégico para o controle, é a Colômbia, que tem como
missão garantir a implantação na região, as políticas dos EUA. Neste
sentido, Israel também cumpre este papel no Oriente Médio.
Mas, é
a partir do ano 2000 que avançou ainda mais a tentativa de garantir a
hegemonia norte-americana na região. Além do controle nas ilhas do
Caribe e da Colômbia, Paraguai é o país que também lhe permite o
controle da região, seja pela sua posição geográfica, seja pela riqueza
da água e dos minérios. Os EUA, podem, a partir de Colômbia e do
Paraguai, atingir em 3 ou 4 horas, qualquer ponto da AL, onde sua
presença se faz “necessária”. Outra proposta é a de estender o Plano
Colômbia no Paraguai. Justifica-se a presença no Paraguai, pelas
supostas operações do Exército Popular Paraguaio, que segundo EEUU, este
pequeno grupo “põe em perigo a segurança da região”.
Não se pode
entretanto garantir a hegemonia apenas através do controle militar. É a
estratégia do convencimento, justificando a presença para combater a
criminalidade e dar segurança para a região. Sua presença irá “proteger
os povos do continente”... O simples fato de difundir as notícias
sobre os supostos perigos que enfrenta a seguridade do continente, para
os EUA já justifica as ações e o avanço da militarização.
O
cerco se completa através das bases militares no Panamá e no México,
com um Plano parecido com o da Colômbia, através da criação de centros
de capacitação, grupos de segurança supervisionados pelos EUA. Desta
forma, México contribui para implantar as políticas ianques na região. A
recente ocupação militar da Costa Rica, com mais de 7 mil marines,
barcos e aviões militares, porta-aviões e armamento pesado, reflete as
ameaças sobre processos como o bolivariano e o cubano, e o intento dos
EUA de garantir por todos os meios o seu controle hegemônico do
continente.
No caso do Haiti, a partir do terremoto, o fato
permitiu de colocar ali a sede do Comando Sul. Além disto, foi
instalada na região a Quarta Frota, móvel, que pode-se deslocar para
qualquer região que for necessário.